Descoberta Histórica
Um conjunto de 127 cartas inéditas de Clarice Lispector foi descoberto por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As correspondências, enviadas entre 1943 e 1977, revelam uma faceta até então desconhecida da escritora: sua intensa preocupação com questões políticas e sociais, especialmente durante o regime militar brasileiro.
Novas Perspectivas
As cartas, endereçadas a amigos, editores e familiares, mostram uma Clarice que discutia abertamente a censura, a repressão e a luta pela democracia. Em uma delas, escrita em 1968, ela expressa solidariedade aos estudantes presos após protestos contra a ditadura. ‘É uma imagem que contrasta com a aura mística e introspectiva que sempre a rodeou’, afirma a professora Maria Aparecida, coordenadora da pesquisa.
Impacto na Obra
Os estudiosos acreditam que a descoberta pode levar a novas interpretações de seus romances, como A Paixão Segundo G.H. e A Hora da Estrela, que agora podem ser lidos como alegorias políticas. ‘Clarice sempre foi vista como existencialista, mas essas cartas mostram seu engajamento real com o Brasil de seu tempo’, completa a pesquisadora.
Publicação e Exposição
As cartas serão publicadas em livro pela editora Rocco ainda este ano. Além disso, uma exposição no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, exibirá os originais a partir de agosto, com curadoria da escritora Nélida Piñon.
