Descoberta Histórica
Uma coleção de 23 cartas escritas por Machado de Assis entre 1870 e 1900 foi encontrada em um arquivo particular no Rio de Janeiro. As cartas, endereçadas a amigos íntimos e familiares, revelam um homem atormentado por dúvidas existenciais, crises criativas e amores não correspondidos. A descoberta foi anunciada nesta quarta-feira pela Fundação Casa de Rui Barbosa.
Amor Proibido
Em uma das missivas, Machado confessa sua paixão por uma dama da sociedade carioca, identificada apenas como ‘C’. ‘Sua imagem me persegue como uma sombra’, escreve o autor de ‘Dom Casmurro’. Especialistas acreditam que a misteriosa ‘C’ pode ser a poetisa Cecília Meireles, que era 40 anos mais jovem. A relação, se confirmada, lançaria nova luz sobre a biografia do escritor.
Dúvidas Literárias
Em outra carta, Machado questiona seu amigo José Veríssimo sobre a recepção de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’: ‘Temo que o público não entenda minha ironia mordaz. Talvez eu tenha ido longe demais’. A correspondência mostra a insegurança do autor quanto ao seu estilo inovador, que mais tarde seria aclamado como precursor do realismo no Brasil.
Contexto Histórico
As cartas também mencionam a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, eventos que Machado acompanhava com ceticismo. ‘Mudam-se os regimes, mas a alma humana permanece a mesma’, escreveu ele em 1890. A coleção será digitalizada e disponibilizada ao público a partir de julho de 2026.
Para o biógrafo Ronaldo Vainfas, a descoberta é ‘um tesouro que humaniza o mito, mostrando suas fragilidades e paixões’. A expectativa é que as cartas gerem novas pesquisas e reinterpretações da obra machadiana.
