Introdução
Alberto Santos Dumont, o brasileiro que encantou Paris com seus balões e dirigíveis, é celebrado mundialmente como o pai da aviação. Mas sua história vai muito além do voo do 14-Bis. Uma nova biografia, lançada pela editora Planeta, mergulha nos diários pessoais do inventor e revela um lado pouco conhecido: suas invenções no campo da relojoaria, seu ativismo pela paz e sua luta contra a depressão.
A infância em Minas Gerais
Nascido em 1873 em Palmira (atual Santos Dumont, MG), o jovem Alberto era fascinado por máquinas. Filho de um engenheiro, teve acesso a livros técnicos raros. A biografia destaca que, aos 12 anos, ele já construía pequenos motores a vapor. Sua mãe, dona Francisca, desejava que ele fosse padre, mas o pai o incentivou a seguir a engenharia.
Paris: o palco das invenções
Aos 18 anos, Santos Dumont mudou-se para Paris, onde testemunhou o auge da Belle Époque. Lá, ele não apenas pilotou balões, mas também os aperfeiçoou. O livro revela que ele chegou a projetar um motor a explosão movido a álcool, antecipando em décadas a tecnologia de combustíveis renováveis. Sua paixão por relógios o levou a patentear um modelo de pulso que dispensava cordas, usado por ele para cronometrar voos.
O 14-Bis e a polêmica com os irmãos Wright
Em 1906, o voo do 14-Bis no Campo de Bagatelle marcou a história. Contudo, a biografia aborda a rivalidade com os irmãos Wright, que reivindicavam a primazia. Santos Dumont, porém, defendia que seu voo era o primeiro a ser público e oficialmente homologado. A obra traz cartas inéditas em que ele expressa frustração com as controvérsias.
O ativista e o fim trágico
Após o sucesso, Santos Dumont tornou-se um defensor do uso pacífico da aviação. Horrorizado com o uso de aeronaves na Primeira Guerra Mundial, ele caiu em depressão. A biografia narra sua luta contra a solidão e o isolamento, culminando em seu suicídio em 1932. Amigos próximos, como Georges Clemenceau, tentaram em vão reerguer seu ânimo.
Legado e redescoberta
Nos últimos anos, o interesse por sua vida cresceu. O livro inclui fotos inéditas do acervo da Fundação Santos Dumont e mostra que suas ideias influenciaram desde a relojoaria suíça até a engenharia aeroespacial. Sua imagem estampa notas de 2 dólares em alguns países, mas seu nome ainda é mais conhecido na França do que no Brasil.
