O cenário de entretenimento no Brasil está passando por uma revolução silenciosa, mas poderosa. Festivais de música e tecnologia, como o Festival Verão Digital e o EletroMata, estão redefinindo a forma como o público consome cultura. Com a crescente influência de plataformas de streaming e a popularização de dispositivos de realidade virtual, os eventos ao vivo estão se tornando experiências híbridas, combinando o calor humano com a inovação digital.
No último fim de semana, o Festival Verão Digital, realizado em São Paulo, atraiu mais de 50 mil pessoas em três dias de programação intensa. O evento contou com shows de artistas renomados como Anitta e Alok, além de palestras sobre o futuro da música com executivos da Spotify e da Deezer. Mas o que chamou a atenção foi a integração de aplicativos de realidade aumentada que permitiam aos participantes interagir com projeções holográficas dos artistas, criando um espetáculo visual único.
Já o EletroMata, que aconteceu em Belém, no Pará, trouxe uma proposta inovadora: unir a música eletrônica com a cultura amazônica. O festival utilizou tecnologias de mapeamento de projeção em árvores centenárias e criou experiências de imersão sonora com fones de ouvido inteligentes que sincronizavam a música com vibrações táteis. O curador do evento, Lucas Santtana, explicou: “Queremos mostrar que a tecnologia pode ser uma aliada da preservação ambiental e da valorização das tradições locais.”
Empresas de tecnologia, como a Meta e a TikTok, já estão de olho nesse mercado. A Meta anunciou uma parceria com o Rock in Rio para criar uma experiência de realidade virtual para os próximos shows, enquanto o TikTok lançou ferramentas de transmissão ao vivo com efeitos especiais que podem ser usados por qualquer festival. Segundo o analista de tendências Pedro Henrique, “o futuro do entretenimento é a personalização e a interatividade. O público não quer mais ser apenas espectador, quer participar ativamente.”
Essa nova onda de festivais tecnológicos também tem impacto econômico. Um estudo da Universidade de São Paulo estima que o setor de eventos tech movimentou cerca de R$ 2 bilhões no último ano, gerando empregos para profissionais de tecnologia, design e produção cultural. Cidades como Recife e Curitiba já estão planejando seus próprios festivais, com investimentos públicos e privados.
No entanto, especialistas alertam para a necessidade de democratizar o acesso. “É preciso garanta que pessoas de todas as classes sociais possam vivenciar essas experiências, senão corremos o risco de criar uma elitização da cultura”, afirma a socióloga Marina Silva. Alguns eventos já oferecem ingressos a preços populares e transmissões gratuitas online, mas a inclusão ainda é um desafio.
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, o Brasil se prepara para ser palco de grandes eventos internacionais. A expectativa é que os festivais tecnológicos ganhem ainda mais força, atraindo turistas de todo o mundo e consolidando o país como um polo de inovação em entretenimento.
