Em um mundo onde a viralização é efêmera, o artista multimídia Bruno Andrade, de 29 anos, decidiu eternizar o caos digital em sua nova exposição, batizada de Viralizou. A instalação, que abriu as portas no Centro Cultural São Paulo, transforma uma sala inteira em um fluxo contínuo de memes, comentários e vídeos que marcaram os últimos cinco anos da internet brasileira. A obra já atraiu mais de 50 mil visitantes em apenas duas semanas e se tornou um fenômeno nas redes sociais, com milhões de visualizações em vídeos que mostram o público interagindo com as projeções.
O projeto nasceu de uma provocação: durante a pandemia, Bruno começou a colecionar prints de comentários agressivos e elogios exagerados que recebia em suas redes sociais. ‘Percebi que esses fragmentos, muitas vezes vistos como lixo digital, eram um retrato cru da nossa sociedade’, explica o artista em entrevista. ‘Viralizou é um espelho para a internet: ao mesmo tempo que celebra a criatividade, expõe a efemeridade e a crueldade do julgamento público.’
A exposição usa inteligência artificial para gerar novas combinações de imagens e textos a cada visita, criando uma experiência única. Em uma das salas, um algoritmo projeta em paredes espelhadas os memes mais compartilhados do momento, enquanto sensores de movimento fazem com que as palavras se desintegrem quando os visitantes tentam tocá-las. ‘É uma metáfora para a nossa relação com o conteúdo online: tentamos agarrar, mas ele escapa’, comenta a curadora Helena Menezes.
O sucesso foi tão grande que empresas de tecnologia já procuraram Bruno para transformar a exposição em um aplicativo. Ele, no entanto, resiste: ‘A arte presencial tem um poder que o digital não substitui. Quero que as pessoas saiam daqui refletindo sobre o que consomem e compartilham’. Enquanto isso, a hashtag #ViralizouExpo já acumula mais de 200 milhões de visualizações no TikTok, com vídeos de visitantes dançando, chorando ou simplesmente contemplando as obras.
Especialistas em psicologia social apontam que a exposição toca em um ponto sensível: a busca por validação. ‘Vivemos uma era em que o ‘like’ se tornou moeda de troca. A obra de Bruno desconstrói isso ao mostrar que, por trás de cada viralização, há uma pessoa real’, analisa a psicóloga Camila Rocha. A exposição ficará em cartaz até dezembro, mas Bruno já planeja uma versão itinerante para outras capitais brasileiras. ‘Se a internet é efêmera, a arte tem o poder de eternizar o que ela tem de mais humano e também de mais absurdo’, finaliza.
