O declínio das séries tradicionais
Um estudo divulgado nesta segunda-feira pela consultoria MediaMonitor revela que as séries de TV, antes consideradas o auge do entretenimento, perderam 52% de seu público global nos primeiros seis meses de 2026. O levantamento analisou dados de 15 plataformas de streaming, incluindo Netflix, Amazon Prime Video e Disney+.
Segundo a analista Ana Cláudia Silva, o público está cada vez mais disperso: “A era das séries de 10 episódios com tramas arrastadas acabou. O espectador atual prefere formatos mais ágeis, como minisséries de 3 capítulos ou conteúdos interativos.”
A Netflix foi a mais afetada, com uma queda de 38% no tempo gasto com séries. Em contrapartida, o consumo de vídeos curtos, como os do TikTok e do YouTube, cresceu 120% no mesmo período.
Outro fator apontado é o cansaço do público com reboots e adaptações. “As pessoas estão cansadas de ver o mesmo conteúdo reciclado. Querem originalidade”, afirma o crítico Rafael Moreira. A Amazon anunciou recentemente que reduzirá em 40% seus investimentos em séries originais, redirecionando verba para reality shows e esportes ao vivo.
Algumas produções, no entanto, conseguiram escapar da crise. A série brasileira ‘Cidade Invisível 3’ registrou recorde de audiência, assim como a sul-coreana ‘Round 7’, da Disney+. “Essas exceções mostram que o problema não é o formato, mas a falta de criatividade e conexão com o público”, conclui Ana Cláudia.
O relatório sugere que, para reverter a tendência, as plataformas precisam investir em narrativas inovadoras e diversificar gêneros, além de adotar estratégias de lançamento que evitem o excesso de conteúdo.
