O Fenômeno ‘Viralizou’
Em julho de 2026, a palavra ‘viralizou’ não é apenas um verbo no passado: virou um meme, um grito de guerra e até objeto de estudo acadêmico. Tudo começou no TikTok, quando um vídeo de um gato dançando com a legenda ‘isso viralizou, amigo?’ acumulou 50 milhões de visualizações em 48 horas. A partir daí, a expressão passou a ser usada em todos os contextos, desde reuniões de trabalho até discursos políticos.
No Twitter, a hashtag #ViralizeiMeme foi trending topic por três dias seguidos. Celebridades como Anitta e Whindersson Nunes aderiram à brincadeira, postando versões próprias. A Globo, em sua novela das 9, incluiu uma cena em que o protagonista dizia ‘isso vai viralizar’ antes de uma confissão amorosa.
Especialistas em comunicação apontam que ‘viralizou’ funciona como um metacomentário sobre a cultura digital: ao mesmo tempo que descreve um fenômeno, também o provoca. ‘É uma espécie de profecia autorrealizável’, explica a socióloga Carla Mendes, da USP. ‘Você dizer que algo viralizou faz com que mais pessoas queiram vê-lo, gerando mais compartilhamentos.’
Marcas não perderam tempo. A Netflix lançou um filtro no Instagram que escreve ‘viralizou’ sobre qualquer foto, e a Coca-Cola criou uma edição limitada de latinhas com a frase. Até campanhas políticas adotaram o termo: o candidato à presidência João Campos usou ‘viralizou’ em um comício, arrancando risos dos eleitores.
Mas nem tudo é celebração. Psicólogos alertam para o excesso de busca por validação online. ‘A necessidade de ‘viralizar’ a qualquer custo pode levar a comportamentos de risco’, afirma a psicanalista Fernanda Torres. Ainda assim, a tendência parece não dar trégua. Enquanto este texto era escrito, mais um vídeo com a hashtag #viralizou ultrapassava 1 milhão de views.
