Em agosto de 2026, um vídeo aparentemente simples de um panda mordiscando bambu ao som de um remix funk explodiu nas redes sociais, acumulando mais de 50 milhões de visualizações em apenas 48 horas. O fenômeno, batizado de ‘Panda Groove’, não é apenas um passatempo digital: é um estudo de caso sobre como o algoritmo do Instagram, liderado por Adam Mosseri, agora prioriza retenção emocional em vez de compartilhamentos.
A viralização, que antes dependia de redes como Twitter (agora X, sob Elon Musk) e TikTok, agora encontra no Instagram um novo celeiro. Dados da SocialMediaLab mostram que conteúdos com ‘gatilhos de surpresa’ e ‘micro-narrativas’ têm 300% mais chances de viralizar. ‘O público quer se sentir parte de algo, mas também quer controle’, explica a socióloga Helena Figueiredo, da USP.
Empresas como a Nubank e a Magazine Luiza já utilizam estratégias de ‘viralização programada’, com equipes dedicadas a criar memes internos. No entanto, o fenômeno do ‘Panda Groove’ também expõe desafios: a propagação de desinformação disfarçada de humor é uma ameaça latente, como alertou a ONG SaferNet em sua última conferência, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Enquanto isso, o criador do vídeo, o brasileiro João Pedro, de 19 anos, comemorou: ‘Fiz para fazer rir, mas não esperava tamanha repercussão. Agora, marcas querem patrocínio, mas eu só quero entender por que isso virou mania’. A resposta pode estar no ‘efeito dopamina’, como defende o neurocientista Miguel da Silva: ‘Nossos cérebros são programados para recompensas rápidas, e o vídeo oferece isso em loop’
A tendência não mostra sinais de desaceleração, e o próximo grande hit pode estar a um clique de distância. Mas, como alerta figuras como o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), é preciso equilíbrio: ‘A viralização é ótima para o entretenimento, mas não pode substituir a informação de qualidade’
