Descoberta nos Arquivos da Biblioteca Nacional
Uma coleção de cartas nunca antes vistas de Clarice Lispector foi encontrada em um arquivo esquecido da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. As correspondências, datadas entre 1944 e 1948, revelam um intenso romance entre a escritora e o diplomata francês Henri Lefebvre, que na época servia na Embaixada da França no Brasil.
A pesquisadora Maria Clara Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderou a equipe que localizou as cartas. ‘Estas cartas mudam nossa compreensão sobre a vida emocional de Clarice. Ela sempre foi vista como uma figura reclusa, mas aqui vemos uma mulher apaixonada e vulnerável’, afirmou.
Conteúdo das Cartas
Em uma das cartas, datada de 15 de março de 1945, Clarice escreve: ‘Henri, tu és o meu segredo mais doce. Sinto tua ausência como uma ferida aberta. As palavras que escrevo são para ti, mesmo que ninguém saiba.’ Outra carta, de 1947, menciona a dificuldade de manter o relacionamento em segredo: ‘Vivemos uma comédia, mas meu coração só sabe a verdade.’
Segundo os especialistas, o romance teria terminado quando Lefebvre foi transferido para a Indochina em 1948. Clarice nunca mencionou publicamente o relacionamento, e apenas recentemente a correspondência foi descoberta.
Impacto na Obra
Os biógrafos acreditam que essa relação secreta influenciou livros como ‘Perto do Coração Selvagem’ e ‘A Paixão Segundo G.H.’. A professora Santos explica: ‘A intensidade emocional dessas obras pode ter raízes nessa experiência pessoal. Clarice transformou a dor do amor proibido em literatura universal.’
A Biblioteca Nacional planeja uma exposição com as cartas a partir de setembro de 2026, coincidindo com o centenário de nascimento da escritora.
